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Estudo aponta falhas em alertas de desastres

Pesquisa da PUCPR revela que menos de 2% dos alertas via SMS entre 2018 e 2023 continham todos os elementos essenciais.

10/10/2026 às 19:17
Por: Redação

Um levantamento acadêmico recente revela que somente 1,83% dos avisos sobre catástrofes naturais transmitidos por mensagem de texto celular no território nacional, no recorte temporal de 2018 até 2023, apresentavam integralmente os componentes fundamentais para assegurar uma transmissão bem-sucedida.

 

A pesquisa intitulada Mensagens de alerta de desastres: desafios e oportunidades com base na experiência do Brasil foi desenvolvida pelos acadêmicos Murilo Noli da Fonseca e Luciene Pimentel da Silva, vinculados à Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

 

Durante a execução do trabalho científico, os autores examinaram 73.701 avisos emitidos por instituições governamentais de segurança, proteção e defesa civil, avaliando rigorosamente o grau de utilidade e precisão dos dados transmitidos à população.

 

Conforme os achados da investigação, constatou-se a carência generalizada de múltiplos fatores fundamentais para que a comunicação de risco cumpra sua finalidade com êxito.

 

“Ao receber uma mensagem, a pessoa precisa conseguir identificar se está em risco, entender o que está acontecendo, saber onde o evento pode ocorrer, o que deve fazer e por quanto tempo precisa permanecer em alerta”, explica Luciene.


 

O escopo da análise abrangeu os torpedos com limite máximo de 160 caracteres registrados junto à base de dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) no intervalo compreendido entre os anos de 2018 e 2023.

 

Os investigadores categorizaram o montante total de comunicados considerando os quesitos de remetente, ameaça, delimitação espacial, instruções normativas e duração temporal, confrontando tais variáveis com os parâmetros estabelecidos pelo sistema de Classificação e Codificação de Desastres (Cobrade).

 

A proporção de textos que contemplavam a descrição detalhada dos possíveis prejuízos decorrentes do fenômeno adverso atingiu apenas 7,7% do total examinado.

 

Da mesma forma, a indicação exata do local afetado esteve presente em meros 5,9% dos comunicados, enquanto a especificação horária relativa ao encerramento da situação de perigo apareceu em apenas 9% dos registros.

 

A própria categorização formal da mensagem, destinada a esclarecer se o texto constituía um aviso, uma comunicação, um alerta ou uma advertência, deixou de figurar em 76,2% das notificações disseminadas.

 

O substantivo alerta manifestou-se em somente 19% dos textos, ao passo que a palavra aviso registrou presença de 2,2% e o termo atenção alcançou 1,8% das ocorrências disparadas aos celulares.

 

Sob a ótica dos especialistas responsáveis pelo levantamento, a escassez desses componentes essenciais evidencia uma deficiência crônica na transmissão de informações voltadas à gestão de emergências.

 

“Quanto mais clara e específica for a mensagem, maiores são as condições para que ela seja compreendida e utilizada na tomada de decisão”, acrescenta a pesquisadora da PUCPR.


 

Desafios na transmissão de dados

 

A restrição técnica imposta pelo formato de mensagem de texto tradicional, que limita o conteúdo a 160 caracteres incluindo espaçamentos e sinais de pontuação, foi apontada pelos autores do estudo como um obstáculo significativo para a incorporação de dados mais aprofundados e contextualizados nos avisos de emergência.

 

Como contraponto a essa limitação, a adoção paralela de múltiplos mecanismos alternativos de transmissão, a exemplo da tecnologia Cell Broadcast, de softwares de mensagens instantâneas e de redes comunitárias locais, configura uma abordagem robusta para ampliar a eficácia comunicativa.

 

O trabalho acadêmico enfatiza que essa tendência de diversificação tecnológica tem sido paulatinamente implementada no território brasileiro em períodos mais recentes.

 

Para o pesquisador Murilo Fonseca, nenhuma ferramenta tecnológica isolada é capaz de suprir todas as demandas decorrentes de cenários catastróficos.

 

“Um sistema multicanal precisa considerar as características da população, incluindo diferentes níveis de alfabetização e acesso à informação, a presença de pessoas idosas, pessoas com deficiência e outros grupos que podem enfrentar barreiras de comunicação; as características do território; os meios de comunicação disponíveis e acessíveis; e a dinâmica do fenômeno”, afirma.


 

Panorama estatístico dos envios

 

No tocante à tipologia dos eventos extremos notificados, a ampla maioria dos comunicados, correspondente a 73,6%, teve como propósito principal alertar a população acerca da ocorrência de chuvas volumosas e contínuas.

 

A segunda categoria com maior incidência nos registros referiu-se aos índices críticos de baixa umidade relativa do ar, totalizando 8,5% das mensagens, seguida pelos avisos direcionados à incidência de tempestades de granizo, que representaram 4,2% do universo analisado.

 

Do ponto de vista da sazonalidade, as estações climáticas da primavera e do verão, situadas cronologicamente entre os meses de setembro e março no âmbito do Hemisfério Sul, concentraram três quartos, ou seja, 75% do volume total de disparos realizados anualmente.

 

Dentre os meses do calendário civil, o período de janeiro destacou-se com 15,9% dos envios, seguido de perto por dezembro, que respondeu por 13,4% das transmissões.

 

No aspecto geográfico e regional, a Região Sudeste liderou com folga o volume de avisos encaminhados aos habitantes, concentrando 75,2% de todos os textos distribuídos.

 

A Região Sul apareceu em segundo lugar na estatística nacional, respondendo por 18,6% das notificações, ao passo que a Região Centro-Oeste somou 3,7% dos disparos.

 

Por fim, as regiões Nordeste e Norte registraram, respectivamente, 1,5% e 0,98% do total de mensagens de alerta catalogadas pelo levantamento.

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